segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ROSA, POEMA DE MARTA VINHAIS, ROSA, POEMA DE RENATA CORDEIRO, BREVE INTRODUÇÃO SOBRE A ORIGEM DAS ROSAS, POR RENATA CORDEIRO



ROSA


Pobre da minha rosa!

Era apenas um pequeno botão, frágil, timido e agora, 

é uma rosa altiva, orgulhosa, senhora de si!

Mas o seu reinado está prestes a chegar ao fim, 

apesar de todos os meus cuidados.

As petálas estão a ficar acastanhadas, 

a mirrar e, em breve vão cair.

Contudo, vou lembrar-me dela com carinho

 e não esquecer que a vida é isto mesmo
 
momentos felizes, fugazes, mas que nos permitem ter boas recordações 
quando 
algo nos desespera e ficamos perdidos!!


ROSA

Rosa, o presente é teu coroamento

Eras um pálido cálice antes

Tu és, hoje, o infinito concordante

Da minha alma que vai se reerguendo

Olhando-te, parece que usas terno

Vestido em camadas, feito de luz

No entanto, cada pétala conduz

E dissolve a veste no instante eterno

O teu perfume clama o meu nome

Pelo tempo e o imenso espaço vazio

E o aroma fica no ar como o renome

Palavras me escapam. Meu corpo lasso

Minhas memórias todas sentem frio...

Vou por aí, um dia acho um abraço...


Feito após a leitura de um poema de Rainer Maria Rilke, intitulado O Perfume da Rosa.



BREVE INTRODUÇÃO À ORIGEM DAS ROSAS
por Renata Cordeiro

O nome vem do latim rosa e do grego rhodon. As rosas estão 
erem cultivadas. A primeira 
entre as flores mais antigas a sparece ter crescido nos jardins asiáticos há 5 000 anos. Na sua forma selvagem a flor é ainda mais antiga; fósseis de rosas datam de há 35 milhões de anos. Muitas variedades de rosas foram perdidas durante a queda do império romano e a invasão muçulmana da Europa. Após a conquista da Pérsia no século VII, os muçulmanos desenvolveram o gosto pelas rosas, e, à medida que seu império se estendia da Índia à Espanha, muitas variedades de rosas foram novamente introduzidas na Europa. Durante a Idade Média, as rosas eram muito cultivadas nos mosteiros. Era regra que pelo menos um monge fosse especialista em botânica e estivesse familiarizado com as virtudes medicinais da rosa e das flores em geral. Hoje as rosas, principalmente as vermelhas, são o símbolo do amor. Não há quem resista a uma dúzia de rosas vermelhas. Shakespeare, em Romeu e Julieta, com uma única frase definiu bem aquilo que sentimos por esta flor: Aquilo a que chamamos rosa, com outro nome seria igualmente doce.



domingo, 27 de setembro de 2009

LARANJINHA, POEMA DE DANIEL COSTA, OFERECIDO À MARTA E À RENATA



LARANJINHA

Não no outro mundo

Mora no Alentejo

A Laranjinha de olhar profundo

Laranjinha meiga e doce

Não no outro mundo

Os seus ternos poemas

Revelam doçura

Advém a tentação

Por vezes dura

Questionar donde vem

Tamanho amor, tanta ternura

Beleza de alma

Beleza plena e segura

Aura de beleza muito sua

Apresenta-se assim

Como o luar da lua

Sorridente na beleza de mulher

No firmamento brilhantes estrelas

Laranjinha é o nome da suave mulher

Um nome bonito

Não se contesta sequer

Contém toda a beleza interior

Toda a beleza da interessante mulher

Admiro a sua poesia

Estimo e admiro aquela mulher

http://danielmilagredanieldaniel.blogspot.com/

RENOVAR, POR MARTA VINHAIS, SEREIA, POR RENATA CORDEIRO, SEREIAS, POR RENATA CORDEIRO, A SEREIA, DO ROMANCEIRO SEFARDITA, TRADUÇÃO DE RENATA CORDEIRO




RENOVAR
Marta Vinhais

Sereia eu fui

Sereia não posso voltar a ser

Na gruta que enfeitei com conchas e búzios já não me escondo…

E o som do mar

No meu coração vive

Já não vagueio nas noites de lua cheia pelo fundo do mar

varrendo a areia à procura do arco-íris que,

aqui à superfície me encanta e seduz,

faz com que a lua chore, surpreendendo,

as estrelas e os outros planetas

cantando baixinho velhas melodias,

numa voz potente e quente.

E, de novo o horizonte se alarga




SEREIA
Renata Cordeiro

No oceano a sereia dança

Ao ritmo do seu bailado

Ao som do mar azulado

A sereia, mulher, canta

Sempre à espera do amado...



SEREIAS
RENATA CORDEIRO


As sereias são as mulheres-pássaros segundo as fontes gregas, e as mulheres-peixes segundo as fontes nórdicas, que simbolizam principalmente os perigos do oceano e a morte no mar. Narrações posteriores tornaram-nas mulheres jovens vivendo no mar, sem a conformação de peixe (é o caso da "Siren" inglesa, diferente da "Mermaid", que tem cauda de peixe), como as Mulheres do mar das lendas bretãs, que são uma espécie de fadas marinhas.
Para a mitologia grega, elas viviam numa ilha do Ponnant, perto da ilha da feiticeira Circe; mas o cadáver de uma delas, Partênope, foi encontrado na Campânia e deu seu nome à cidade que hoje se chama Nápoles (antes, Partênope).
Na Antigüidade, as sereias eram também invocadas no momento da morte, por isso, muitas estátuas que as representavam eram encontradas nos sepulcros.
Deve-se acrescentar que se acreditavam realmente na existência das sereias, sendo conhecidas várias histórias de sereias vivas.
A obra literária mais antiga que existe sobre elas é a 
Odisséia de Homero, em que o herói, Ulisses, alertado pela feiticeira Circe, não cai prisioneiro de seus encantos, ao passar próximo da ilha onde elas habitam, tapando os ouvidos dos marinheiros e fazendo-se atar no mastro do navio. Desde então, as sereias passaram a ser um símbolo mitológico das artes da sedução e da atração feminina.
Segundo essas crenças, as sereias não só seduzem os homens para dar-lhes a morte, mas a sua aparição também era anúncio de tempestades e desastres. O historiador romano Luciano, do século II d. C., já se referia a uma extraordinária figura pisciforme como deidades oceânicas.
Segundo algumas crônicas, no ano 558, uns pescadores de Belfast Lough (Irlanda do Norte), ouviram o canto de uma sereia e foram pescá-la com suas redes.
Conseguiram resgatar uma sereia que se chamava Liban, filha de Eochaidh, na praia de Ollarbha, na rede de Beon, filho de Inli. Puseram-na em um aquário, do mesmo modo que um peixe, e ali ela permaneceu por 300 anos. Durante esse tempo, desejou ardentemente sua liberdade. Certos monges piedosos resolveram libertá-la, mas antes a batizaram segundo o rito cristão, dando-lhe o nome de Murgen, que significa "nascida no mar". Depois desejou a morte para salvar sua alma. Desde do dia em que morreu ficou conhecida como a Santa Murgen, aparecendo com essa denominação em certos almanaques antigos e no santoral irlandês, sendo atribuídos a ela vários milagres. Quem já tinha ouvido falar numa sereia santa? Pois não é freqüente essa simbiose entre o paganismo e o cristianismo.
Em algumas descrições celtas antigas, as sereias tinham um tamanho monstruoso, apresentando quase dezoito metros de altura. Essas medições foram possíveis porque elas penetravam pelos rios e podiam ser encontradas em lagos de água doce.

SEREIA ASSASSINA

Um exemplo típico de sereia selvagem é a que aparece no conto 
O Senhor de Lorntie",que Robert Chambers narra em Popular Rhymes of Scotland:


"O jovem Senhor de Lorntie, em Forfarshire, regressava certo dia tarde da caça, acompanhado somente por um criado e dois cães galgos, quando, ao passar junto de um lago solitário situado a cerca de três milhas ao sul de Lorntie, e que naquela época estava completamente rodeado de bosque, ouviu os gritos de uma mulher que parecia estar afogando-se.
Sendo de caráter intrépido, o jovem lorde pulou do cavalo e se dirigiu para a margem do lago, e ali viu uma bela mulher que lutava com a água e parecia estar afogando-se.



-"Socorro, socorro, Lorntie!", exclamou.
"Socorro, Lorntie, socorro, Lor...."




E as águas, penetrando em sua garganta, pareceram afogar os últimos sons de sua voz. O Lorde, incapaz de resistir a um impulso de humanidade, se lançou ao lago, e quase ia agarrar os loiros cabelos da moça, que flutuavam como madeixas de ouro sobre a água, quando seu criado o segurou por trás e o obrigou a sair do lago.
O servo, mais perspicaz que seu amo, se deu conta que aquela era um espírito aquático.
"Espera, Lorntie, espera um instante!", exclamou o fiel servo, "aquela dama não era outra, Deus nos proteja! que uma sereia!"
Lorntie, imediatamente reconheceu que ele falava a verdade, e quando montava no cavalo, se viu confirmada, pois a sereia, tirando meio corpo para fora da água, exclamou um voz de frustração e ferocidade diabólica:



"Lorntie, Lorntie, se não fosse por teu criado, teria seria sido uma presa muito fácil!".


SEREIA CURADORA

Uma bonita história de uma sereia que dá conselhos médicos é a que cita Chambers em 
Nithsdale and Galloway Song de Cromek:


Um homem chorava pela namorada, uma jovem encantadora que a tísica havia levado à margem da tumba.
Com tom de doçura vivificante, aproximou-se dele uma boa sereia e cantou:
"Deixarias morrer a bonita May em tuas mãos, e a artemisia florescer nos campos?"
O jovem arrancou e espremeu as corolas e deu o suco à bela namorada, que se levantou e agradeceu à sereia por lhe haver dado de volta a saúde."



Alguns autores têm uma visão favorável das sereias. Renfrewshire confirma esse pensamento através de um conto sobre uma sereia que emergiu da água enquanto passava o funeral de uma jovem, e disse queixosamente:



Se bebessem urtigas em março
e comessem artemisa em maio,
não iriam para tumba
tantas elegantes donzelas.



A artemísia era muito usada para a tísica. As sereias tinham grandes conhecimentos sobre ervas, além de poderes proféticos.

LUGARES ONDE APARECERAM AS SEREIAS

Cantábrico, que banha a costa norte da Península Ibérica, já teve fama de ser um mar muito povoado de sereias. No ano 1147, uma grande expedição marítima levou um exército cristão do norte da Europa à Terra Santa, no começo da segunda cruzada. Por uma carta que se conserva na Biblioteca do Colégio de Cristo da Universidade de Cambridge, escrita pelo cruzado Osbone, sabemos que a frota saiu do porto de Dartmouth, ao sudoeste da Inglaterra 
na sexta-feira anterior à Ascensão de Cristo, e que, várias jornadas depois, foi dispersada por um forte temporal um dia antes que pudessem alcançar o porto de Mala-Rupis (Gijón).
O relato de Osbone, traduzido por Jesus Evaristo Casariego, diz assim:
A noite que se seguiu (ao temporal), apavorou todos os nautas, por mais serenos que fossem. Entre todos os perigos, escutamos os horríveis alaridos das sereias, que primeiro eram como gritos de dor e logo de riso e gargalhadas, tal como se de seus castelos nos insultassem.

Na Idade Média, na Inglaterra, elas se chamavam 
Mermaids, ou filhas do mar, que se diferenciavam das Siren, que eram as sereias clássicas, ou seja, as mulheres-pássaros. A crença na real existência das sereias se manteve até muito depois do início da Idade Média, apesar da crescente expansão do cristianismo que condenava essas superstições.
Em 1403, perto de Edam, nos Países Baixos, uma sereia passou por uma brecha em um dique e dois jovens a encontraram atolada no barro do canal, coberta de musgo e plantas verdes. Habitou em Haarlem até o dia de sua morte, depois de 17 anos.
- Ninguém a compreendia", dizia Borges, "porém lhe ensinaram a fiar e venerava como por instinto a cruz, razão pela qual foi enterrada em um cemitério cristão.

Em 1658, foram vistas várias sereias na costa da Escócia, perto da desembocadura do rio Dee. A visão teve tal ressonância que o 
Aberdeen Almanac, trasformou o local em ponto turístico, prometendo aos visitantes a presença de um grupo de preciosas sereias, criaturas conhecidas pela sua beleza incomparável. Comprova-se assim, que a técnica da propaganda enganosa não foi um invento do século XX.
No século XVIII um periódico inglês menciona como verdadeira a aparição de uma
Mermaid nas costas da Grã Bretanha. Em 1728, o governador das ilhas Moluscas (atual Indonésia), Minher Van Der Stell, contou que havia visto um monstro semelhante a uma sereia, junto à costa de Borneo, na província de Amboina,medindo aproximadamente 1,50 m. Permaneceu viva em terra, dentro de uma cuba cheia de água quatro dias e sete horas, emitindo de vez em quando um sibilo débil, como uma ratazana.

SEREIAS NA ESPANHA

Na Espanha, segundo Jesus Callego, os relatos de sobre as sereias sobreviveram no tempo de boca em boca, de geração para geração e estão ligadas às idéias fundamentais: por um lado, seu canto melodioso, que constitui um perigo a evitar pelos seres humanos, já advertido na 
Odisséia; e, por outro, em todas as lendas que transmitem a idéia de maldição de uma mãe humana faz sobre sua filha, convertendo-se essa em sereia, passando dessa forma, a formar parte do mundo das fadas.Na Espanha são encontradas referências a sereias assassinas desde o século XVI, em que os autores falam delas nas suas obras, recorrendo ao sentir popular que sobre as mesmas existia tanto em sua época como muito antes.
Um deles é Juan Pérez de Moya, que faz eco, na 
Filosofia Secreta, de uma das qualidades das sereias que devia ser tópica inclusive no século XVI, quando escreve:Fingem cantar tão docemente, que os marinheiros as ouvem, admirados da melodia, adormecem e, não olhando por si, as sereias, quando os sentem adormecidos, para depois comer suas carnes.



Já Antonio de Torquemada, em seu Jardim de Flores Curiosas (1570), recolhe outro aspecto tipicamente conhecido das sereias, aceitando a possibilidade da sua existência, mas não seus comportamentos:É comum falar e tratar dessas sereias, dizendo que, do meio do corpo para cima têm forma de mulher, que dali para baixo têm de peixe; representadas com um pente na mão e um espelho na outra, e dizem que cantam com tanta doçura que adormecem os navegantes e assim entram nos seus navios e matam todos que neles estão adormecidos (...) e embora seja assim, que haja no mar esse gênero de peixe, eu tenho por fábula a doçura de seu canto e tudo a mais que se fala acerca delas.
No que tange à sua organização social, elas têm uma rainha, que é a mais bela de todas e que se distingue por levar incrustado na cauda um anel de pedras preciosas que tem de retirar ao chegar à praia e voltar a pô-lo ao regressar ao mar, tal como afirma uma lenda de Begur, na Costa Brava.

SEREIAS MULTIFORMES

As sereias, dentro de suas múltiplas habilidades, podem mudar de forma. A imagem mais comum na Antigüidade Clássica, foi a da mulher-ave, conhecida também como Hárpia, e só na época medieval foi transformada em mulher-peixe.
A sereia-hárpia, cuja imagem apresenta um rosto de mulher e o resto de uma ave rapina, personifica as tempestades e a morte, sendo encarregada de raptar os seres humanos para logo oferecê-los ao deus do inferno. Esse ser aparece descrito por Homero e sobrevive na época de São Isidoro, mantendo-se inclusive até o século XII nas representações das igrejas romanas, porém já não são vistas na arte gótica.
Há também alguns relatos de que uma sereia pode desintegrar a sua cauda de peixe e transformar-se em mulher de aspecto completamente humano. Para Nancy Arrowsmith, quando elas viajam pelo mar, só podem tomar a forma de mulher-peixe ou golfinho e se o fazem pelo ar, aparecem como gaivotas ou águias (essa é uma qualidade mais própria das nereidas).
Medem, em geral, um metro e meio. São muito belas e adoram jóias e pedras preciosas. Como o resto das fadas, dormem durante todo o dia e somente é possível vê-las ao amanhecer ou no pôr-do-sol.
As sereias se encontram em todo o litoral do Mediterrâneo espanhol, mas também no Atlântico (aparecem na costa brasileira igualmente), pois seus principais palácios se situam as cercanias das ilhas dos Açores. Raras vezes são encontradas em mar aberto, pois gostam de aproximar-se das desembocaduras dos rios e das rochas da costa.
O pente de ouro e o espelho são seus atributos mais comuns, mas em algumas partes da Europa, elas também usam véu, bolso e têm um cinturão. A posse de qualquer desses objetos permite dominar a sereia, podendo inclusive casar-se com ela.
Dentro de suas características genéricas estariam o dom da profecia (que lhes permite proferir maldições), a sugestionabilidade de sua voz (que lhes permite hipnotizar através dela) e a necessidade de possuir alma e filhos.
Muitas são as lendas (
Livro de Enoch) que dizem que as sereias são originárias do mundo humano, dando-nos a comprovação da maldição proferida por uma mãe à sua filha. As sereias nada mais seriam do que mulheres humanas em sua origem, mas que se transformaram em espíritos da natureza. Esse fato seria bastante significativo, pois explicaria várias reações delas: buscam o contato com o homem para casar-se com ele ou para matá-lo, buscam possuir uma alma que perderam quando passaram para esse estado sobrenatural, podem converter-se com facilidade em mulheres com membros e aspectos humanos, não manifestam nenhuma aversão pelos símbolos cristãos e sua estatura é maior que a das outras fadas.
O francês Benoít de Mallet, publicou, no ano de 1755, uma volumosa obra dedicada às sereias, em que recolheu todo o tipo de lendas relacionadas a elas, chegando à conclusão de que eram seres de uma raça humana primitiva, praticamente desaparecida, assinalando a sua presença desde a Terra do Fogo até Madagascar.

IMAGEM DAS SEREIAS

A imagem estereotipada das sereias é que têm uma doce e melodiosa voz em que está concentrado todo o seu poder. Com seu canto, podem enfeitiçar e fazer com que os homens, os pássaros, os peixes, o vento e a água enlouqueçam. Como os outros seres elementais da natureza, se comunicam com todos os seres vivos e são capazes de controlar as forças naturais benefício próprio, dentro de certos limites. Seu poder está associado à lenda negra que diz que elas alcançam seu grau máximo nas noites de lua cheia, quando sobem à superfície e com seus cantos chamam as névoas, refugiando-se nelas para esperarem os barcos que passam próximos dos seus refúgios. Outras vezes, seus cantos são destinados aos ouvidos dos marinheiros que caem enfeitiçados e acabam loucos ou mortos.
As lendas que existem acerca das sereias sempre são fábulas um pouco exageradas, pois dizem que o desejo delas é afogar jovens marinheiros ou levá-los para seus belos palácios no fundo do mar. Lá, vigiam com zelo os homens e freqüentemente lhes propõem casamento. Se aceitam seus clamores, os marinheiros são tratados amavelmente e podem viver em meio a grandes comodidades e luxo, porém se resistirem, passam o resto da vida existência presos, atados com cadeados de ouro.
Pode parecer que as sereias são cruéis, e talvez em certo sentido o sejam mesmo, sobretudo do ponto de vista humano. Não devemos duvidar que os seres elementais acreditem que os seres humanos fazem parte de um mundo imperfeito, um mundo tão material que está perdendo sua relação harmônica com a Gaia (Terra) e que deprecia todas as outras formas de vidas como os espíritos da natureza.
As sereias não são malvadas, simplesmente se deixam levar pelos sentimentos e instintos e embora do nosso ponto de vista seja aparentemente uma forma selvagem de vida, para elas é um ato de amor.

LENDA SOBRE A ORIGEM DA SEREIA

Essa é uma lenda contada em Cantabria (Espanha) sobre a origem da sereia:
Uma jovem muito linda, de alva pele, esbelta tinha o costume de percorrer as íngremes escarpas da costa para pescar mariscos e também satisfazer a sua paixão de cantar.
Foi repreendida várias vezes por sua mãe para evitar uma possível desgraça e para moderar-se em suas ininterruptas fugas. Porém a jovem, fazendo ouvidos de mercador, nunca levou em conta os pedidos da mãe. Muito pelo contrário, considerava os conselhos da mãe empecilhos que deveriam ser burlados e se deleitava a tagarelar suas canções sobre os penhascos, embriagada de euforia.
Porém, a mãe cansada e farta com tanta desobediência, em um momento de raiva lhe lançou a seguinte maldição
:- Assim permita Deus do Céu que te transformes em peixe!
E, imediatamente a bela jovem fugitiva transformou-se em uma belíssima mulher com rabo de peixe.
Desse conto surgiu uma famosa cantilena que já foi muito popular:

A sereia do mar
é uma moça muito má
que por uma maldição
a colocou Deus na água.

Sereia do mar,
natural de Santander,
por uma maldição
levas nome de mulher.

Meu destino é ser amante
de uma sereia do mar,
pois amar não poderei nunca
mulher alguma mortal.


Há uma outra canção muito conhecida pelo folclore montanhês:

Vi encalhada uma sereia
na praia do Puntal;
Eu me aproximei da areia
e ela buscava o mar.

Sabe-se que todo aquele pescador que consegue capturar uma sereia recebe uma recompensa de Lantarão, o rei-tritão do Cantábrico, um presente especial: o direito de casar-se com ela. Para isso, o pescador deve beijar em seguida a sereia, cujo o rabo de peixe se transforma imediatamente em belas pernas.
Em seguida, a sereia entrega seu espelho que deve ser escondido de forma que ela possa achá-lo, pois, se isso acontecer, o feitiço terminas e ela voltará a transformar-se em sereia e deve regressar ao mar. Essa, sempre teve a esperança de retorno ao seu lar, muito embora não queira dizer que não amem seus maridos humanos.
Na Catalunha não existe a idéia da maldição, porém de soberania. Joan Amades comenta que habitam em magníficos palácios submarinos, cheios de fantásticas riquezas, muito iluminados, onde se servem deliciosos manjares e se ouve acalentadoras músicas. A sereia sente uma grande paixão pelos homens e cada noite, quando o mar está tranqüilo e há uma boa claridade da lua, sai à flor das águas e entoa canções de doçura incomparável, acompanhando-se às vezes com um instrumento de corda.
Como quase todas as lendas, também na Catalunha, a sereia foi em princípio humana,muito bela e vivia em povoado pequeno da costa, passando longas horas em frente às águas do mar Mediterrâneo absorta em seus pensamentos. Todas as propostas de casamento que recebia eram recusadas de forma sistemática por que, consciente de sua grande beleza, não podia se casar com um homem que não fosse tão bravo e valente como o mar.
Um belo dia subiu num barco para estar em contato mais próximo do mar e acabou naufragando. Posteriormente, se supõe que, com o passar dos anos, lhe saíram escamas e rabo de peixe, transformando-se em sereia. Talvez, por essa razão tenha o costume de acabar com a vida dos marinheiros ou de provocar tempestades e marremotos.

SIMBOLISMO

O simbolismo mais veemente da sereia é a da sedução mortal. Certamente, ela é tentadora: 
As asas da sereia são amor de mulher, que ela está pronta a dar e aretomar, escreve Pierre de Beauvais.
A paixão inflamada que ela inspira é perigosa, porque provém do sonho e do inconsciente, e por isso é sonho insensato, fantasma irreal. Para preservar-se das ilusões da paixão (o amor é cego), é necessário, como Ulisses, agarrar-se à dura realidade do mastro (centro do navio e simbolicamente eixo vital do espírito).
Estamos tão condicionados pelo comportamento atávico da lógica que só um salto no oceano da mente, com a ruptura das cadeias do costume, nos libertará dessa confusão mental que nos induz e crer que o normal é o que nos foi ensinado e a história como nos foi doutrinada. Mas, além de tudo que conhecemos, existe uma outra história, um outro conhecimento de ciência e espiritualidade, um nível supremo inimaginável do que é a magia, do poder sagrado da sexualidade, das forças da natureza, que podem aliar-se conosco, assim como também podemos nos unir a ela, sentindo-a parte nossa, voltando a recordar que somos parte sua.


Sereia, John William Waterhouse

A SEREIA
Romanceiro sefardita


- Fosse de leite o mar e os barcos de canela,

tudo eu faria a fim de proteger as velas.

- Fosse de leite o mar, seria pescador,

pescaria o meu mal com palavras de amor.

- Fosse de leite o mar, seria mercador,

percorreria o mundo em busca de um Amor.

- Uma torre há no mar, na torre uma janela,

e na janela está dos marujos a Bela,

- Dá-me a mão, Pomba, quero alcançar o teu ninho,

maldita, dormes, e eu que adormeça sozinho!
TRADUÇÃO DE RENATA CORDEIRO