terça-feira, 30 de novembro de 2010

EU TE ENFEITICEI





EU TE ENFEITICEI


Screamin´Jay Hawkins

Eu te enfeiticei
Porque és minha
E é melhor parares com tudo que estás fazendo
Eu disse "Presta atenção!"
Não estou mentindo
Sim,
 Não vou aceitar nenhuma das tuas tolices
Não vou aceitar nenhuma das tuas repressões

Eu te enfeiticei
Porque és minha
É isso aí!



@Tradução da Renata Cordeiro


terça-feira, 23 de novembro de 2010

O SABOR DE UM BEIJO


O SABOR DE UM BEIJO



Mírian Warttusch



Quando os olhos se fecham ao sabor de um beijo,



A alma vê... se extasia com o desejo...



É mais que ver... é quando o toque se sublima,



E os lábios vivenciam do amor o clima.





...Doce delícia que os olhos não precisam ver...



Deslumbrado o beijo, na penumbra passa a ser,



forma abstrata, exata, que concebe o olhar,



Boca na boca, traduz o modo de sonhar...





Nesse carinho, o êxtase, a emoção,



Fazem disparar, com loucura, o coração!



Acendem uma centelha... e o fogo do prazer,





Se alastra... e mesmo nada o poderá conter...



Inflamado, depois de um ardente beijo,



Culmina numa entrega... num louco desejo!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CANTIGUINHA



CANTIGUINHA

Cecília Meireles 

Meus olhos eram mesmo água,

— te juro —
mexendo um brilho vidrado,
verde-claro, verde-escuro.
Fiz barquinhos de brinquedo,

— te juro —
fui botando todos êles
naquele rio tão puro.

Veio vindo a ventania,

— te juro —
as águas mudam seu brilho,
quando o tempo anda inseguro.
Quando as águas escurecem,

— te juro —
todos os barcos se perdem,
entre o passado e o futuro.
São dois rios os meus olhos,

— te juro —
noite e dia correm, correm,
mas não acho o que procuro.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ARANJUEZ, MEU AMOR



ARANJUEZ, MEU AMOR


Richard Anthony (1967), baseado no *Concerto de Aranjuez* de Rodrigo.


Meu amor, na água das fontes, meu amor
Para onde o vento as leva, meu amor
Quando cai a noite, vemos flutuar
Pétalas de rosas

Meu amor, as paredes estão rachando, meu amor
Com o sol, com o vento, com a chuva
E com os anos que vão passando
Desde aquela manhã de maio quando eles vieram
E, cantando, de repente, escreveram
nas paredes com a ponta da arma
Coisas muito estranhas*

Meu amor, a roseira segue os seus traços, meu amor,
Na parede e enlaça, meu amor,
Os seus nomes gravados; e todo verão
As rosas tomam um belo tom avermelhado

Meu amor, secam as fontes, meu amor
Ao sol, ao vento da pradaria
e aos anos que vão passando
Desde aquela manhã de maio quando eles vieram
Com a flor no coração, descalços, andando devagar
E com os olhos iluminados por um estranho sorriso

E quando cai a noite sobre esta parede
Parece que vemos manchas de sangue
São rosas,
Aranjuez, meu amor!


@ Tradução da Renata Cordeiro

* Guernica


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sábado, 6 de novembro de 2010

DIRETO AO NÚMERO UM




DIRETO AO NÚMERO UM

Touch and Go


Dez... beije-me a boca
Nove... corra os dedos por entre os meus cabelos
Oito... toque-me... lentamente... 
Sete... espere! Vamos direto...

ao número um.

Seis ... lábios
Cinco ... dedos 
Quatro... brinque ... 
Três... ao número um...

Vamos direto ... ao número um...

Beije-me a boca
Corra os dedos por entre os meus cabelos
toque-me
e vamos direto ao número um...

ao número um.


@ Tradução adaptada da Renata Cordeiro


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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PORQUE OS OUTROS SE MASCARAM MAS TU NÃO? *SOU O AMOR*






PORQUE OS OUTROS SE MASCARAM MAS TU NÃO?
 *SOU O AMOR*

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.



Sophia de Mello Breyner Andresen






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quarta-feira, 3 de novembro de 2010





O QUE MACHUCA MAIS

Cascada

Posso tirar toda a água da chuva do teto dessa casa vazia, isso não me incomoda

Posso tirar algumas lágrimas agora e depois deixá-las rolar

Não tenho medo de chorar

E toda vez, quando o tenho na mente por um tempo,

Você ainda consegue me chatear

E há dias

Hoje mesmo, e de novo, que eu finjo que estou bem,

Mas não é isso o que acontece em mim

O que machuca mais era estar tão perto

E ter tanto para dizer

E ver você partir

Sem nunca saber o que poderia ter sido

E sem perceber que amá-lo

Era o que eu tentava fazer


É difícil lidar com a dor de perdê-lo a todo lugar que vou

Mas eu o faço

É difícil forçar aquele sorriso quando vejo os meus velhos amigos e estou sozinha

Continua sendo difícil levantar-me, vestir-me, conviver com essa rejeição

Ah, pudesse eu ultrapassar tudo isso

Negociaria, daria todas as palavras que salvei no coração que eu não deixei estragar.


O que machuca mais era estar tão perto

E ter tanto para dizer

E ver você partir

Sem nunca saber, o que poderia ter sido

E sem perceber que amá-lo

Era o que eu tentava fazer


Eu não tenho medo de chorar

E toda vez, quando o tenho na mente por um tempo,

Você ainda consegue me chatear

E há dias

Hoje mesmo e, de novo, que eu finjo que estou bem,

Mas não é isso o que acontece em mim


O que machuca mais era estar tão perto

E ter tanto para dizer

E ver você partir

Sem nunca saber o que poderia ter sido

E sem perceber que amá-lo

Era o que eu tentava fazer


Tema do filme “Cold Mountain”

@ translated by Renata Cordeiro

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

QUANDO SÓ TIVERMOS O AMOR




QUANDO SÓ TIVERMOS O AMOR
Jacques Brel

Quando só tivermos o amor
Para compartilhar
No dia dessa viagem
Que é a do nosso grande amor

Quando só tivermos o amor
Meu amor, tu e eu,
Para morrer de alegria
A cada hora e a cada dia

Quando só tivermos o amor
Para viver as nossas promessas
Sem riqueza nenhuma
A não ser a riqueza de nelas acreditar

Quando só tivermos o amor
Para enfeitar com maravilhas
E cobrir com o sol
A feiúra da miséria

Quando só tivermos o amor
Como única razão
Como única canção
E única saída

Quando só tivermos o amor
Para vestir o amanhecer
Pobres e bandidos
Com casacos de veludo

Quando só tivermos o amor
Para unir em oração
Contra os males desta terra
Como simples trovador

Quando só tivermos o amor
Para entregar a essa gente
Que vai à luta
Em busca de luz

Quando só tivermos o amor
Para traçar um caminho
E ajudar o destino
Cada vez que cruzamos com ele

Quando só tivermos o amor
Para falar aos canhões
Ah, e se bastasse uma canção
Para convencer os tambores

Só então, quando não tivermos mais nada
A não ser esta força que é o amor,
Teremos na palma das mãos
Meu amigo, o mundo inteiro


@ Tradução da Renata Cordeiro 
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