sexta-feira, 30 de maio de 2014

BALADA DE EMILY BRONTË, POEMA DE TASSO DA SILVEIRA



Emily Jane Brontë


BALADA DE EMILY BRONTË, POEMA DE TASSO DA SILVEIRA

No Morro do Vento Uivante,
o vento passa uivando, uivando...
No Morro do Vento Uivante
há um casarão vazio
cheio de salas vazias
e corredores vazios...
A noite toda uma porta
geme agoniadamente.
Pelas vidraças partidas
silvam longos assovios,
no ar de abandono e de medo
passam bruscos arrepios...
No Morro do Vento Uivante
o vento passa...
Emily Brontë
não pares a história... Conta!
conta, conta, conta, conta!
Dá-me outra vez aquele medo
que encheu minha infância morta
de sonhos e de arrepios...
No Morro do Vento Uivante
Depois que os anos passaram
como ficaram meus dias
vazios... vazios...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

SALOMÉ, POEMA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Gustave Moreau, Salomé, 1876

SALOMÉ, POEMA DE MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Insônia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se pra mim num espasmo de segredo...

Tudo é capricho ao seu redor, em sombrias fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio... Alabastro!... A minha Alma parou...
E o seu corpo resvala a projetar estátuas...

Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:

Mordoura-se a chorar – há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...


sexta-feira, 23 de maio de 2014

DESTINO, POEMA DE MIA COUTO


DESTINO, POEMA DE MIA COUTO

à ternura pouca
me vou acostumando
enquanto me adio
servente de danos e enganos

vou perdendo morada
na súbita lentidão
de um destino
que me vai sendo escasso

conheço a minha morte
seu lugar esquivo
seu acontecer disperso

agora
que mais
me poderei vencer?

terça-feira, 20 de maio de 2014

ENVOLVE-ME AMOROSAMENTE..., POEMA DE ANTÓNIO BOTTO




ENVOLVE-ME AMOROSAMENTE..., POEMA DE ANTÓNIO BOTTO



Envolve-me amorosamente

Na cadeia de teus braços

Como naquela tardinha...

Não tardes, amor ausente;

Tem pena da minha mágoa,

Vida minha!

Vai a penumbra desabrochando

Na alcova

Aonde estou aguardando

A tua vinda...

Não tardes, amor ausente!

Anoitece. O dia finda...

E as rosas desfalecendo

Vão caindo e murmurando:

- Queremos que Ele nos pise!

Mas, quando vem Ele, quando?...

domingo, 18 de maio de 2014

CORRIDINHO, POEMA DE ADÉLIA PRADO



CORRIDINHO, POEMA DE ADÉLIA PRADO

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O CORAÇÃO, SONETO DE LUÍS CAETANO PEREIRA GUIMARÃES JR.



O CORAÇÃO, SONETO DE LUÍS CAETANO PEREIRA GUIMARÃES JR.

O coração que bate neste peito
E que bate por ti unicamente,
O coração, outrora independente,
Hoje humilde, cativo e satisfeito:

Quando eu cair, enfim, morto e desfeito,
Quando a hora soar lugubremente
Do repouso final, – tranquilo e crente
Irá sonhar no derradeiro leito.

E quando um dia fores comovida
_ Branca visão que entre os sepulcros erra, –
Visitar minha fúnebre guarida,

O coração, que todo em si te encerra,
Sentindo-te chegar, mulher querida,
Palpitará de amor dentro da terra.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

É PRIMAVERA



É PRIMAVERA

Quando o inverno chegar

Eu quero estar junto a ti.

Pode o outono voltar,

Que eu quero estar junto a ti.

Porque é primavera.

Te amo!

É primavera...

Te amo!

Meu amor...

Trago esta rosa, para te dar.

Trago esta rosa, para te dar.

Trago esta rosa, para te dar...

Meu amor!

Hoje o céu está tão lindo, sai chuva!

Hoje o céu está tão lindo... Meu amor!

Quando o inverno chegar,

Eu quero estar junto a ti.

Pode o outono voltar, que eu quero estar junto a ti.

Porque é primavera.

Te amo!

É primavera...

Te amo!

Meu amor...

Trago esta rosa, para te dar.

Trago esta rosa, para te dar.

Trago esta rosa, para te dar...

Meu amor!

Hoje o céu esta tão lindo, sai chuva!

Hoje o céu esta tão lindo...

Meu Amor!

Meu Amor!

É primavera...

Sai Chuva!

É primavera...

Sai Chuva!

É primavera...

Sai Chuva!

É primavera...

Sai Chuva!





sábado, 10 de maio de 2014

GOTAS CLARAS DE ORVALHO..., SONETO DE JACKSON DE FIGUEIREDO



GOTAS CLARAS DE ORVALHO..., SONETO DE JACKSON DE FIGUEIREDO

Gotas claras de orvalho, cintilantes,
Que luzis nestas pétalas de rosas
Dando beleza a elas tão formosas,
Sóis pequeninos, trêmulos, brilhantes,

Gotas puras d´alvor de diamantes
Que o Sol as faz secar, tão, tão mimosas,
Murchando já também as fulgorosas
Pétalas, de cetim tão radiantes,

Igual a voz oh! gotas cristalinas
Que nos lembram sorrisos de Jesus,
São nossas ilusões, róseas, divinas...

Primeiro luzem como estrelas puras,
Depois se finam, e de noss´alma a luz
Empalidece ao Sol das amarguras.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

PORQUE SOMOS VIDA..., HOMENAGEM A MARIO QUINTANA



PORQUE SOMOS VIDA..., HOMENAGEM A MARIO QUINTANA

A laranja cortada ao meio, 


Úmida de amor, anseia pela outra...

  É assim, é bem assim que eu te desejo!

Mario Quintana

terça-feira, 6 de maio de 2014

CELESTE, SONETO DE ADELINO FONTOURA



CELESTE, SONETO DE ADELINO FONTOURA

É tão divina a angélica aparência,
E a graça que ilumina o rosto dela,
Que eu concebera o tipo da inocência
Nessa criança imaculada e bela.

Peregrina do céu, pálida estrela,
Exilada da etérea transparência,
Sua origem não pode ser aquela
Da nossa triste e mísera existência.

Tem a celeste ingênua formosura
E a luminosa auréola sacrossanta
De uma visão do céu, cândida e pura;

E quando os olhos para o céu levanta,
Inundados de mística doçura,
Nem parece mulher, – parece santa. 

domingo, 4 de maio de 2014

VOLÚPIA, SONETO DE FLORBELA ESPANCA



VOLÚPIA, SONETO DE FLORBELA ESPANCA
 
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
 
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
 
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
 
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

À LUA, SONETO DE ELZEÁRIO DA LAPA PINTO



À LUA, SONETO DE ELZEÁRIO DA LAPA PINTO

Vem, ó lua, contar-me as tuas dores,
Teus segredos d´amor: deixa um instante
Essa louca estrelinha rutilante
Que desdenha cruel os teus amores.

Vem aqui derramar os teus palores,
Vem dizer-me qual é a tua amante,
Se é aquela menor, menos brilhante,
Ou aquela que tem mais esplendores.

Pobre lua! tu gemes, tu deploras
A sorte sempre avessa – a ingratidão,
De uma linda estrelinha a quem namoras.

Mas eu, pobre de mim! louca paixão
Me tortura a existência! ah! se tu choras
Eu sou mais infeliz, não choro, não.