sexta-feira, 29 de agosto de 2014

MEUS COMPANHEIROS AMADOS, NÃO VOS ESPERO NEM CHAMO, POEMA DE CECÍLIA MEIRELES



MEUS COMPANHEIROS AMADOS, NÃO VOS ESPERO NEM CHAMO, POEMA DE CECÍLIA MEIRELES


Meus companheiros amados,
 não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança. 
Люди

sábado, 23 de agosto de 2014

DAMAS, SONETO DE EMILIANO PERNETA



DAMAS, SONETO DE EMILIANO PERNETA


Ânsia de te querer que já não tem mais fim,
Meu espírito vai, meu coração caminha,
Como uma estrela, como um sol, como um clarim,
Mas tudo em vão, sei eu! Tu és uma rainha! .


És a constelação maravilhosa, a minha
Aspiração, de luz magnífica, ai de mim!
A nudez, o clarão, a formosura, a linha,
O espelho ideal! Ó Torre de Marfim!


Nunca me hás de querer, batendo-me por ti,
Pomo duma discórdia infrutífera, beijo
Todo em fogo, e a arder, assim como um rubi...


Mas é por isso que eu, ó desesperação,
Amo-te com furor, com ódio te desejo,
E mordo-te, Ideal, e adoro-te, Ilusão!





domingo, 17 de agosto de 2014

SABE TÃO BEM..., POEMA DE F. CORTE REAL



SABE TÃO BEM..., POEMA DE F. CORTE REAL



Sabe tão bem...
Quando o silêncio da noite vem a cair
Haver nos olhos o brilho da felicidade
Haver alguém a nosso lado para amar.

Sabe tão bem...
Fazer Amor e aninhado ficar a sonhar
Que voamos sobre as luzes da cidade
Tendo o céu para desvendar e colorir.

Sabe tão bem...
Puxar os lençóis para sentir outro calor
Mover o corpo no sentido de encontrar
O apelo do desejo que o sono engana.

Sabe tão bem...
Deixar correr o pensamento que emana
E nesse momento saber onde procurar
Tudo o que é preciso para viver o Amor.

Sabe tão bem...
Adormecer com uma esperança já definida
No sorriso que em nossa boca aflora o dia
Ciente que o amanhã virá com a verdade.

Sabe tão bem...
Por fim haver a força que faz da realidade
Uma passagem para ir feliz na companhia
De tudo o que sabe tão bem em nossa vida.




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

NAQUELE PIC-NIC DE BURGUESAS, POEMA DE CESÁRIO VERDE




NAQUELE PIC-NIC DE BURGUESAS, POEMA DE CESÁRIO VERDE



Naquele pic-nic de burguesas,

                             Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandeza,

Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,

Foste colher, sem imposturas tolas,

A um granzoal azul de grão-de-bico

Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,

Nós acampávamos, inda o Sol se via;

E houve talhadas de melão, damascos,

E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda,

Dos teus dois seios como duas rolas,

Era o supremo encanto da merenda

O ramalhete rubro de papoulas!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

POEMA PARA O DIA DO PAI



POEMA PARA O DIA DO PAI


Agrada-me dizer que foste tu o meu grande amor

Tu que me preenches da alegria

Incomensurável de ser plena mulher.

Homem de amor, fraqueza, vigor,

A quem presto sempre louvor,

_ Como poderia esquecer-me do filho que fizemos num lindo dia,

Posto que é simplesmente a razão deste Viver?

Quem me mantém aqui neste vale profundo,

Quem me ergue nas tantas quedas

Quem me impulsiona a lutar pelo nosso Mundo _

Hoje, diante do Eterno, nós percebemos um esboço,

E, boquiabertos, sob a luz das estrelas,

Ouvimos a sorridente boca do teu belo rosto:

- Olá, meu príncipe, minha princesa!


® Renata Cordeiro



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

SONETO 9 DE ALVARENGA PEIXOTO

      


  SONETO 9 DE ALVARENGA PEIXOTO

De açucenas e rosas misturadas
Não se adornam as vossas faces belas,
Nem as formosas tranças são daquelas
Que dos raios do sol foram forjadas.

As meninas dos olhos delicadas,
Verde, preto ou azul não brilha nelas;
Mas o autor soberano das estrelas
Nenhũas fez a elas comparadas.

Ah, Jônia, as açucenas e as rosas,
A cor dos olhos e as tranças d´oiro
Podem fazer mil Ninfas melindrosas;

Porém quanto é caduco esse tesoiro:
Vós, sobre a sorte toda das formosas,
Inda ostentais na sábia frente o loiro!