segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

SUPER-HOMEM, A CANÇÃO, DE GILBERTO GIL



SUPER-HOMEM, A CANÇÃO
Gilberto Gil
  

Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver

Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O AMOR QUANDO SE REVELA, POEMA DE FERNANDO PESSOA




O AMOR QUANDO SE REVELA



O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

domingo, 21 de fevereiro de 2016

VIA-LÁCTEA, POEMA DE OLAVO BILAC




VIA-LÁCTEA 





Quando adivinha que vou vê-la, e à escada
Ouve-me a voz e o meu andar conhece,
Fica pálida, assusta-se, estremece,
E não sei por que foge envergonhada.

Volta depois. À porta, alvoroçada,
Sorrindo, em fogo as faces, aparece:
E talvez entendendo a muda prece
De meus olhos, adianta-se apressada.

Corre, delira, multiplica os passos;
E o chão, sob os seus passos murmurando,
Segue-a de um hino, de rumor de festa…

E ah! que desejo de a tomar nos braços,
O movimento rápido sustando
Das duas asas que a paixão lhe empresta.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

VIVER VIDA.............................................!, POEMA DE MACHADO DE CARLOS



VIVER VIDA.............................................!



Viver Vida...! Guirlandas! Hortênsias!
Uma alegria!... Semeio sementes azuis pra você,
Elas são germinadas. Ninguém vê... ...
E o trem corre a enfrentar o seu dia.

O cravo tem o olhar de maestria, Dá mais cor.
A cor de seu lindo ser!
Nesta epopéia de flores não há porquês;
Tento explicar nas letras da poesia.

No pé de dália estou a divagar!...
Perco-me no espaço. Ouço o seu cantar;
... e encontro paz para o meu coração.

A rosa é imperatriz dos meus versos,
Mesmo fugaz é a rainha do Universo,
E mantém você na minha canção!...

***

Publicado no Recanto das Letras com a minha imagem, e republicado aqui por gentileza do Autor.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

DA JANELA DO MEU SÓTÃO, POEMA DE DANIEL COSTA



DA JANELA DO MEU SOTÃO
 Algo como o protão,
Tinha à mão o mundo
Da janela do meu sótão
Tudo se me apresentou profundo
Dormia naquele caixotão
Em sonho feliz, quiçá fecundo
Escutava o mar, jeito de vergastão
A embater na rocha se detendo
Longe, em descomunal ondulação
Cabo Carvoeiro, oriundo
Os urros das ondas em ebulição
Impacto nas rochas num som furibundo.
Da janela do meu sótão
Formou-se um “erudito” oriundo
Escudado em cultura de baú, pobretão!
Á luz do petróleo se examinando,
Desbravando leituras, como eremitão
Fazendo figura (fraca) esperando
Ao fenecer a janela do meu sótão…
Jeito de pináculo de catedral se foi antevendo,
 Da janela do meu sótão.
Daniel Costa
http://danielmilagredanieldaniel.blogspot.com.br/ 



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A BAILARINA, DE TOQUINHO E MUTINHO

 


A BAILARINA

Um, dois, três e quatro,
Dobro a perna e dou um salto,
Viro e me viro ao revés
e se eu caio conto até dez.

Depois, essa lenga-lenga
Toda recomeça.
Puxa vida, ora essa!
Vivo na ponta dos pés.

Quando sou criança
Viro orgulho da família:
Giro em meia ponta
Sobre minha sapatilha.

Quando sou brinquedo
Me dão corda sem parar.
Se a corda não acaba
Eu não paro de dançar.

Sem querer esnobar
Sei bem fazer um grand écart.
E pra um bom salto acontecer
Me abaixo num demi plié.

Sinto de repente
Uma sensação de orgulho
Se ao contrário de um mergulho
Pulo no ar num gran jeté.

Quando estou num palco
Entre luzes a brilhar,
Eu me sinto um pássaro
A voar, voar, voar.

Toda bailarina pela vida vai levar
Sua doce sina de dançar, dançar, dançar...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

FELICIDADE, POEMA DE MANOEL BANDEIRA

FELICIDADE


A doce tarde morre. E tão mansa

Ela esmorece,

Tão lentamente no céu de prece,

Que assim parece, toda repouso,

Como um suspiro de extinto gozo

De uma profunda, longa esperança

Que, enfim cumprida, morre, descansa…

E enquanto a mansa tarde agoniza,

Por entre a névoa fria do mar

Toda minh´alma foge na brisa:

Tenho vontade de me matar!

Oh, ter vontade de se matar…

Bem sei é cousa que não se diz,

Que mais a vida me pode dar?

Sou tão feliz!

— Vem, noite mansa…


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

BORBOLETA, POEMA DE RENATA CORDEIRO




BORBOLETA

 Dedicado ao grande Poeta e querido amigo Daniel Costa

Agora que já espalhei o pólen, vou retirar-me. É preciso.

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Uma borboleta sai voando
Num instante
Como num passe de mágica
Não te mexas!
O tempo parou...
Boêmia de turquesa
De um azul nacarado
Flor sem haste
Não há nada mais belo
Do que um acompanhamento poético




sábado, 6 de fevereiro de 2016

FLOR DE LUZ, POEMA DE MURILO SALDANHA E CHARLYANE MIRIELLE







FLOR DE LUZ 


Em um inverno solitário, porém não distante
Dentre os pequenos flocos da neve gelada,
Uma belíssima flor de luz irradiante,
Surgiu como milagre na nevoada.

Como ela era linda, toda colorida!
Pintada às tintas da cor aquarela!
Repleta de alegria, paz e de vida,
Era admirável com cores tão belas.

Seu pai o inverno, vendo a formosura,
Tomou-a na mão, chamando-a Florzinha,
E à Primavera, com muita ternura
Entregou-a, pois lá não estaria sozinha

Florzinha cresceu dentre as margaridas,
Era a preferida da Mãe Natureza.
Quanto mais suas folhas ficavam crescidas,
Mais imensurável era sua beleza.

Tinha nos olhos a cor da esperança
E em seu sorriso, brilho e magia.
Brincava de roda com a brisa criança
e quando falava, brotava poesia...

E era assim que Florzinha vivia,
Esbanjava alegria por onde passava
Amizade era ouro e ela sabia
E como tesouro, assim a guardava..

Contava seus sonhos a um beija-flor
Pensando no quanto ele espalharia
Versejando a chegada de um grande amor
Nos desejos guardados em cada poesia...

Florzinha mais bela, anjo de candura
Planta a amizade em versos de carmim
Sua beleza é tanta, assim como a ternura
Que espalha rimas doces por todo nosso jardim...