terça-feira, 29 de março de 2016

NO RASTO DO SOL, MAFALDA VEIGA



NO RASTO DO SOL

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode abraçar

Doze luas há em ti e sete marés
Sete barcos navegam a procurar
Um porto uma praia
Talvez no fim do mar onde alguém nos venha esperar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu na palma da mão
Dois olhares que se entregam até ao fim
Do corpo e da alma
Em todos os lugares onde o mundo me fala de ti

À tua volta há luz de sete luares
Sete barcos navegam para encontrar
Um fogo um calor
Talvez no fim de tudo haja força pra recomeçar
Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo

Duas luas no céu e duas canções
Dois olhares que se cruzam a procurar
Um sol um luar
E todos os lugares onde a luz se pode tocar

Vem comigo no rasto de sol
Eu vou contigo
Vem comigo do outro lado das muralhas
Eu vou contigo



quarta-feira, 23 de março de 2016

QUE MUNDO MARAVILHOSO!




QUE MUNDO MARAVILHOSO!

Eu vejo as árvores verdes e rosas vermelhas!
Eu as vejo florescerem para mim e pra ti
E penso comigo... que mundo maravilhoso!

Eu vejo os céus tão azuis e as nuvens tão brancas!
O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite...
E penso comigo... que mundo maravilhoso!

As cores do arco-íris, tão lindas no céu!
Colorem os rostos das gentes que vão e vêm
Vejo pessoas dando-se as mãos, e uma dizendo pra outra: "olá, como vai?"
Na verdade, dizem-se: “eu te amo!”

Eu ouço nenês a chorar, eu os vejo crescer.
Aprenderão muito mais do que eu jamais saberei...
E penso comigo... que mundo maravilhoso!

Sim, eu penso comigo... que mundo maravilhoso!


Bob Thiele; George David Weiss; Robert Thiele Jr.
Trad. livre da Renata

quarta-feira, 16 de março de 2016

ROSA E PROSA, POEMA DE OSWALDO ANTÔNIO BEGIATO



ROSA E PROSA


À flor da pele
Trago muitas flores
E seus perfumes;
Trago muitas dores
E meus ciúmes.


À flor da pele
Te amo de mansinho.
És minha rosa,
Eu sou teu espinho:
- Poesia e prosa!


domingo, 13 de março de 2016

AINDA QUE MAL, POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE




AINDA QUE MAL

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.



quinta-feira, 10 de março de 2016

CONFIANÇA, POEMA DE MIGUEL TORGA



CONFIANÇA

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

sábado, 5 de março de 2016

“LIEBESTOD”, TRISTÃO E ISOLDA, RICHARD WAGNER



“LIEBESTOD”,
  TRISTÃO E ISOLDA, RICHARD WAGNER


Isolda, não percebendo nada do que se passa à sua volta, fixa os olhos, com emoção crescente, no corpo de Tristão


ISOLDA


Tão terno e tão meigo,
esse sorriso! E esses olhos
que se abrem, tão doces!
Amigos, estão vendo?
Ou não podem ver
como ele irradia
sempre mais luz,
para tomar impulso,
rútilo de estrelas?
Não vêem?
E esse coração, o seu coração,
que se ergue e luta,
bate ritmicamente e lhe transborda
dentro do corpo?
E esses lábios que se abrem,
com ternura, com graça,
com um sopro de paz?
Vejam, amigos!
Não o sentem? Não o vêem?
Sou a única a ouvir
essa canção pródiga, silente,
de tantas maravilhas
esse queixume de alegria
que sabe dizer tudo tão bem,
doce paz reconquistada
nos ecos jazem fora dele,
me invadem,
saem daqui de baixo,
qual suave música
que vibra à minha volta?
Esses sons cada vez mais nítidos,
na onda que me amortalha,
são bolhas que carregam
as carícias do ar?
Ou são as vagas
de enfeitiçados eflúvios?
Inflam-se e inflam-se,
à minha volta, murmuram!
Preciso respirar?
Preciso escutar?
Preciso saborear,
afogar-me, diluir-me?
Em brisas embalsamadas
suavemente destruir-me?
Na plenitude da onda,
no ruído dos ecos,
no sopro absoluto
onde se exala o mundo,
abismar-me...
fundir-me...
nada mais ser...
alegria suprema... alegria!


Isolda, transfigurada, deita-se devagar sobre o corpo de Tristão e morre num êxtase orgasmático. Marcos abençoa os cadáveres. Cai o pano lentamente.



Tradução de Renata Cordeiro